Eduardo Paz Barroso – Intervenção

Misteriosidade e Arte
A MISTERIOSA DECLINAÇÃO DAS IMAGENS NO CINEMA

Existe pelo menos uma grande coincidência entre a psicanálise o cinema: o mistério. E como a análise é fértil em coincidências, e o cinema fértil sonhos, há filmes que se confundem com a experiência da análise, criam conexões e associações, em suma, “verbalizam-se”.
A arte possui características excepcionais que lhe permitem realizar, melhor que qualquer outra forma discursiva, o pensamento do inconsciente. Vemos filmes onde o desejo se formula como uma autêntica produção do inconsciente. Filmes onde o espectador pressente o sentido latente das imagens, um sentido fascinante e violento, ao qual gostaria de aceder.
Mas não existe análise sem psicanalista, sem aquele ou aquela, que aprendeu a “voltar para o inconsciente do doente, emissor, o seu próprio inconsciente como órgão receptor”.
Jaime Milheiro fala-nos desta misteriosidade e caracteriza-a: “é o sentimento despertado pelo lado atractivo do desconhecido e pela vontade de o resolver”.
Será então possível encontrar uma estética na relação analítica? Revejam-se, entre muitos, os filmes de Hitchcock: suspense e surpresa. Mas só no fim saberemos declinar as imagens….

Filmografia

Alfred Hitchcock, Vertigo (A Mulher Que Viveu Duas Vezes), 1958 Vicente Minenelli Some Came Running (Deus sabe quanto amei), 1958
Ingmar Bergman, Lágrimas e Suspiros, 1972
Joohan Grimonprez, LOOKING FOR ALFREd , 2005